Existir
ou construir uma vida de que goste.
A nossa última news do ano acabou de chegar na sua caixinha do correio. Espero que ela te faça pensar (só mais um pouquinho) antes do ano terminar!
Gostar da nossa própria vida.
Não porque ela seja perfeita, a melhor ou a mais bonita.Mas porque é a gente quem a constrói. E porque é possível construir algo de que a gente goste, pelo menos um pouco.
A vida não vem pronta como algo que simplesmente não gostamos, mas precisamos aceitar. Ela vai sendo feita, dia após dia.
E se é a gente que vai fazendo a própria vida, por que não gostar do que está sendo construído?
O que estamos fazendo com isso?
Escrevi esse texto em algum momento deste ano e, ao relê‑lo, pensei que não haveria escrita melhor para retomar antes de finalizarmos o ano.
Tenho pensado nisso de forma cada vez mais intencional nos últimos tempos.
“O que eu penso da minha vida? Como eu me sinto com ela? Que desejos eu tenho para ela?” São questionamentos importantes a se (re)fazer, de tempos em tempos. Até porque são perguntas que se atualizam conforme a gente vive.
No dicionário, “meu/minha” está definido como aquilo que pertence a quem fala.
Logo, nossa vida, nos pertence. E só quem pode fazer algo com o que é nosso, somos nós.
Não sei se me faço entender, e se você está indo para onde eu gostaria de te levar com essa escrita. Talvez ela soe redundante, óbvia, simples.
E é. Mas na mesma medida em que também é bem complexa.
Porque muitas das nossas queixas dizem respeito à vida que temos, leia-se que nos pertence. Ainda assim, muitas vezes a queixa parece ficar do lado de fora, direcionada a uma vida que nos foi posta, como se suas condições fossem apenas externas, quando também são internas.
E aqui não se trata de relativizar nem de ser simplista. Muitas condições de vida são, de fato, impostas. Elas existem, pesam e delimitam possibilidades.
Mas muitas outras também não. E muitos de nós ficamos focados em querer espernear com a primeira condição, e acabamos por deixar de fazer algo com a segunda, que realmente está ao nosso alcance.
Talvez a boa notícia seja esta: se construímos a nossa própria vida, essa construção nunca vai estar completamente encerrada. Não é um processo fácil e muito menos rápido, mas ainda assim, é possível.
É possível construir uma vida de que se goste. Ou, ao menos, de que se goste um pouco mais.
E se a gente não estiver gostando, que a gente possa parar para pensar no que é possível de se fazer com isso. E não que a gente fique presos em uma vida sem sentido, por parecer que não existem saídas.
Porque as saídas também somos nós quem construímos.
Essa escrita não é sobre não reclamar. Nem sobre positividade tóxica, pelo amor de Deus! Não é sobre ignorar sofrimento ou desigualdades. Mas é sobre nos lembrar que a autorresponsabilidade também nos proporciona liberdade, escolhas, movimento e a criação de novas saídas.
Que a gente possa entender aquilo que é das circunstâncias e encontrar formas de lidar com isso. Mas que a gente possa reconhecer que aquilo que nos pertence não precisa ser uma sentença, mas sim um caminho de mudanças e de pequenas melhorias possíveis.
Obrigada pela companhia neste ano. Espero, se fizer sentido por aí, que as minhas palavras possam seguir te encontrando de algum modo em 2026, assim como a escrita também me encontra por aqui. 🤍



